Observatório de Games.

No final de janeiro, o ator Clive Standen, que interpretou o personagem Rollo no seriado Vikings, esteve no Brasil para participar como uma das principais atrações do Sana, o maior evento de cultura pop do norte e nordeste do país.
Bem-humorado e atencioso com a imprensa, o ator, que também veio acompanhado de Lucy Elise (que interpretou a personagem Ingrid também em Vikings) trocou alguns minutos de papo referentes à carreira e curiosidades sobre o universo da cultura pop.

E umas das coisas que chamou a atenção dos que só conhecem clive pelo eterno Rollo foi a sua genuína ligação com o universo gamer. Ele não só joga desde criança como também já participou de grandes jogos como Alien vs Predador, Space Marine 1 e 2, além de um terceiro game que está por vir, que será dirigido por um grande nome do cinema mundial.
Perguntado sobre qual tecnologia mais teria lhe impressionado na carreira até hoje, o ator foi direto: “Motion Capture”, disse Clive, se referindo à técnica de gravação de movimentos em que ele mesmo teve a chance de realizar nos games da franquia Space Marine. Confira o momento:
Como funciona isso
Em resumo, essa tecnologia atualmente consiste em um sistema de mapeamento e transferência de movimentos que aplica vários pontos de referência física no corpo de um ator ou atriz, onde tudo que ele(a) faz pode ser transferido para um personagem digital. Confira como isso funciona em 5 passos:
1. O ator veste uma roupa especial

A primeira coisa a ser feita é a pessoa colocar um traje colante que é cheio de sensores ou bolinhas refletivas. Chamados de ‘dots’, esses pontos são colocados em partes estratégicas do corpo onde se realizam movimentos importantes (joelhos, cotovelos, quadril, cabeça, etc).

O rosto também recebe a mesma técnica, só que com sensores melhores e câmera dedicada, como pode ser visto abaixo e no vídeo da entrevista com Clive.

Conforme disse Clive, essa parte exige uma concentração considerável do ator, já que tudo ali está resumido a uma roupa colada, armas de plástico e uma equipe inteira te olhando fingir que está cercado de uma ameaça que só vai existir no digital.
2. Câmeras capturam o movimento

De roupa colocada, é hora de executar os movimentos desejados pelo diretor. E para captar isso, um sistema de câmeras posicionadas em 360° ao redor do ator fica encarregado de registrar todos os ângulos possíveis.
Pode ser necessárias várias tomadas até que o diretor e a equipe técnica se deem por satisfeitos com o que foi captado.
3. Indo pra tela

Feita a captação, o software vai processar todos esses arquivos de vídeo e transformar isso no movimento desejado na tela. O computador transforma esses pontos em um rig (estrutura de ossos) digital, e partir daí o personagem da tela pode ser encaixado dentro de um cenário qualquer.
Variações
Existe mais de uma maneira de se captar os movimentos humanos para coloca-los numa tela, algo que vem sendo tentado desde os anos 1910. Confira algumas passagens dessa jornada tecnológica:
O avô do Motion Capture
Puxando o conceito de captura de movimento para as suas primeiras tentativas é possível chegar à já secular década de 1910. Ali, a já ousada Disney fazia uso da rotoscopia, uma técnica na qual um ator é filmado e, em seguida, os animadores desenham seus movimentos quadro a quadro para replicá-los.
Foi assim que cenas da Branca de Neve foram feitas entregando um resultado espantoso na época. Um trabalho extremamente difícil para muitos. Foi com a rotoscopia também que, em 1989 o clássico game ‘Prince of Persia’ teve seus movimentos captados. Confira abaixo o making of desses momentos:
O pioneiro no 3D
O conceito de Captura de Movimentos que foi visto por Clive também já tem um tempo certo de vida. Nos games, ele ganhou força nos anos 90, através dos games Virtua Fighter (1993) e Virtua Fighter 2 (1994) da Sega.
Mortal Kombat também popularizou outro tipo de captura de movimentos
Uma das franquias de luta mais famosas do mundo também teve um papel fundamental na ideia de transferir movimentos humanos para a tela. Também foi por rotoscopia, mas a diferença fundamental que fez os fliperamas bombarem foi a ideia de usar os próprios frames recortados no resultado final.
Na época, essa tecnologia foi considerada revolucionária ao entregar uma naturalidade de movimentos até então nunca vista nos games, feita com imagens reais na tela. Deu uma “brisa” e tanto, diriam os dá época.
Próxima missão de Clive Standen nos games
A próxima missão de Clive nos games é também a que mais envolve ele até hoje nesse universo, já que no game Toxico Commando o ator entrará com sua aparência, voz e movimentos. A história, que também contará com a atriz Lucy Martin na voz da personagem Ruby, retrata um futuro próximo, um experimento científico para aproveitar a energia do núcleo da Terra dá errado quando acidentalmente libera uma entidade chamada Deus da Lodo.
Logo, ela começa a transformar o solo em lodo e a humanidade em zumbis . No entanto, os cientistas responsáveis pelo experimento elaboram um plano para deter o Deus da Lodo, contratando uma equipe de mercenários para eliminar os zumbis e salvar o mundo. Confira o trailer do game, onde o ator viverá Walter:
Marx Walker , Observatório de Games.
Fonte: Observatório de Games.
seg, 02 fev 2026 11:19:05 -0300










































